Não Seja o Dono da Insuportável Opinião Predominante

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Esta é uma das piores cadeias mentais que há. O pior de tudo: ela é silenciosa. Bem silenciosa. É como uma doença que se espalha pelo corpo todo e quando o indivíduo nota sua existência se assusta com tamanho estrago.

Conhece alguém que “sabe tudo”? E, mesmo no lamaçal da ignorância, acredita que tem razão? Trata-se de uma mistura perigosíssima de orgulho com teimosia, o que resulta na personalidade de opinião dominante. A opinião desse sujeito predomina (principalmente para ele mesmo), não importa o que aconteça.

O aprisionado pela ilusão da opinião predominante tem o ego sentado no trono mais alto dentro de si. Suas ideias, opiniões e achismos são mais inquestionáveis do que a lei, praticamente perfeitos. Ai de quem o questione! Tal ignorante será constrangido.

O mais engraçado é que pessoas assim não percebem quem realmente são. De tanto anularem a hipótese do erro, acreditam que são humildes e agradáveis e não há quem os convença do contrário. Eis o enorme perigo! Querido(a) leitor(a), por favor, não seja assim.

Vivemos em um universo gigantesco, talvez infinito, quem sabe? Há muitas coisas entre o céu e a terra, tantas que seríamos incapazes de termos respostas para tudo. Não sabemos tudo e, enquanto meros mortais, nunca saberemos. Temos que desenvolver cada vez mais o simples hábito de dizer “não sei”. Acredite, é aliviador!

Não somente dizer “não sei” é um hábito confortante como também considerar a ideia de que muitas opiniões e crenças que temos podem estar erradas. Entenda que não estou falando sobre fé ou assuntos relacionados. Refiro-me às coisas simples do cotidiano.

Por exemplo: aprendi que ficar próximo de espelhos durante uma tempestade atrai raios. Mentira. Aprendi que comer formiga faz bem para a visão. Mentira também. Me disseram que colocar uma pequena colher de metal no gargalo da garrafa de refrigerante preserva o gás. Outra mentira. Mas há quem defenda essas crenças com unhas e dentes, pois a hipótese de estar errado é inaceitável na mente destas pessoas.

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E por que ter a opinião como predominante causa infelicidade? Ora, imagine quantas discussões poderiam ser evitadas se este tipo de pessoa simplesmente admitisse a possibilidade do erro? “Posso estar errado”, esse é um ótimo pensamento. É raro encontrarmos pessoas que reconhecem a própria fragilidade intelectual. Geralmente todo mundo quer estar certo.

Diminuir o número de brigas não é a única vantagem de quem abandona o vício de estar sempre com a razão. Pessoas humildes são mais queridas e agradáveis. São mais acessíveis. É infinitamente mais fácil conversar abertamente com gente humilde do que com gente inflexível.

Pratique a reflexão sincera e humilde. Entenda que você também erra… e erra muito. Fique tranquilo(a)! Você é ser humano. Eu também. Seres humanos são imperfeitos. Cometem erros diariamente. Na verdade, cometem erros o tempo todo. Erros conscientes e inconscientes. “Errar é humano.”

Permita-se errar. Permita-se estar errado(a). Considere sempre a hipótese de que você talvez esteja equivocado(a). Você não será menor do que ninguém por causa disso, pelo contrário, tal ato demonstra sabedoria por parte do sujeito.

Como já disse o grande filósofo Sócrates: “só sei que nada sei”. E é com este padrão de pensamento que essa lenda da filosofia “venceu” inúmeros debates. Sabedoria também é reconhecer o tamanho da própria ignorância.

Sua opinião, sua crença ou seu palpite não precisam ser a palavra final, não devem ser inquestionáveis e não devem sempre serem vistos como a verdade intocável. Sim, você pode estar errado(a). Tire o eu deste alto trono da razão hoje mesmo.

Trechos do livro: A Chave da Liberdade Emocional

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