Você já parou para pensar quanto do seu tempo, da sua energia emocional e da sua paz de espírito você tem entregado à manutenção de uma imagem que, inevitavelmente, irá mudar? Em uma das academias que já frequentei, fiz amizade com uma mulher simpática, de aproximadamente 40 anos. Seu corpo estava longe de ser escultural e seu rosto já guardava algumas rugas, resultado natural do tempo. Mas, de qualquer forma, ela possuía as características comuns de qualquer mulher nesta fase da vida. Ao conhecê-la mais a fundo, senti muita compaixão.
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Ela contou-me que, durante boa parte de sua juventude, fora modelo e teve sua foto estampada em algumas revistas. Disse que viajou muito e conheceu vários profissionais da área, sendo alguns destes homens que a assediaram, oferecendo em troca mais chances no mundo profissional da beleza. O que me despertou compaixão não foi o seu passado. Todos possuem fases ruins em sua história. O que tocava o meu coração era vê-la tentando de todas as formas voltar a ser o que era. Ela trocava a cor de seus cabelos com muita frequência. Vivia horas na academia, mas, devido a alguns problemas em seu organismo, não conseguia manter uma alimentação saudável e isso tornava inúteis suas horas de malhação.
As roupas que usava não condiziam com sua idade, o que lhe trazia uma aparência cômica às vezes. Insistia em mostrar a todos as várias fotos que tirou ali e acolá, tentando roubar um elogio das pessoas a todo instante. Era facilmente visível o seu desespero para voltar a ser a modelo da juventude e a não aceitação de quem ela era. O fato de ser mãe de alguns filhos e ter passado dos 20 anos não lhe trouxera paz. Essa busca desenfreada pela autoestima baseada na estética é uma armadilha silenciosa que consome gerações inteiras. Afinal, quantas vezes nós mesmos nos pegamos medindo o nosso valor pelo reflexo que o espelho devolve todas as manhãs?
Observo aquelas pessoas que passam horas e horas nas academias e só sabem falar sobre corpo e beleza. Elas passarão pela mesma coisa que esta moça citada nos parágrafos anteriores passou. Deve ser terrível viver assim, insatisfeito, tentando voltar no tempo. Isso é muito mais comum do que pensamos. Pessoas deixam de aproveitar boas fases da vida, pois ficam presas em páginas que já deveriam ter sido viradas há muito tempo. Prendem-se em coisas absurdamente banais, e a aparência é uma delas.
A obsessão pelo corpo perfeito não é apenas um sinal de vaidade; é uma resistência inútil contra a própria vida que Deus nos deu para desfrutar em cada estação. Se você sente que a sua percepção sobre o seu valor está distorcida pelo espelho, convido você a refletir profundamente sobre isso. Para caminhar com firmeza nessa jornada de autoconhecimento e libertação, dedique um tempo para conhecer os meus livros sobre desenvolvimento pessoal, psicologia e cristianismo. É o momento de redescobrir a sua identidade sem filtros.
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O tempo passa para todos nós, sem exceção. As mulheres que se engrandecem por possuir certas partes do corpo avantajadas são as mesmas que, em um tempo futuro, irão reclamar sobre o quanto estas mesmas partes estão caídas e envelhecidas. Os rapazes que esbanjam suas musculaturas são os mesmos que, na terceira idade, provavelmente estarão barrigudos e ouvirão aquela clássica brincadeira familiar. Não há dinheiro no mundo que impeça a plena ação do tempo. Sua aparência física irá se deteriorar e nada, absolutamente nada, do que você fizer irá impedir essa realidade.
É claro que nossas qualidades interiores também sofrem com os anos, mas não tanto quanto a carcaça exterior. Já conheci pessoas idosas com uma vivacidade mental invejável, mas nunca vi ninguém manter na velhice a mesma rigidez corporal da juventude. O verdadeiro envelhecimento saudável não depende de evitar as rugas a ferro e fogo, mas de cultivar uma mente em paz, ancorada na fé, que não se desespera ao ver o corpo mudar.
Talvez pensar nos efeitos da velhice pareça desconfortável à primeira vista, porém este fato enaltece uma verdade libertadora: a aparência é insignificante perto de todo o resto que habita em nós. Vivemos em uma sociedade que lucra diretamente com a sua insegurança, ditando padrões mutáveis como se fossem leis absolutas. Quando você se torna refém desse mercado, você entrega o controle da sua alegria de viver para tendências passageiras.
A verdadeira beleza, aquela que o tempo não consegue apagar, reside na profundidade do seu caráter, na sua capacidade genuína de amar o próximo, no seu intelecto e na sua essência espiritual. É hora de parar de se desgastar por algo tão pequeno e focar no que realmente importa. As marcas que a vida deixa na nossa pele não são derrotas; são testemunhos reais de uma história vivida com intensidade. Aceitar a transitoriedade do corpo é o primeiro passo para a verdadeira liberdade. Liberte-se hoje mesmo da tirania do espelho e compreenda que você sempre foi, e sempre será, infinitamente mais do que a sua aparência projeta.
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Sobre Danilo H. Gomes
Com mais de 1 milhão de e-books baixados no Brasil e no mundo, Danilo H. Gomes, autor best-seller conhecido por sua forma de escrever simples, profunda e cativante, vem rompendo barreiras no mundo literário, alcançando desde os leigos até os especialistas. Seu amor pelo desenvolvimento humano, em conjunto com seu conhecimento filosófico reflexivo e sua paixão pela psicologia, geraram mais de 70 publicações relacionadas aos mais variados temas. Danilo H. Gomes é marido de Débora e pai de Sarah.







