Quero Voltar à Igreja, Mas Tenho Vergonha… E Agora?

Entre os desviados há um grupo curioso. Pode ser que você pertença a este grupo. Estou falando dos irmãos que desanimaram na fé, entretanto em algum ponto da vida perceberam que estavam errados e anseiam ardentemente retornar para o caminho em Cristo… mas sentem vergonha.

O sentimento de culpa e vergonha é compreensível se considerarmos a religiosidade que ainda existe no meio cristão. Infelizmente há pessoas que não medem esforços para apontar o dedo e julgar. Devemos ter compaixão para com estas pessoas, pois o hábito de julgar é uma clara evidência de que ainda não houve o novo nascimento. Trataremos mais adiante sobre o convívio social na igreja.

Neste capítulo nos restringiremos a esta questão tão presente na vida dos desviados na fé: o medo do retorno. Jamais podemos enxergar o cristianismo como uma seita. Há uma enorme diferença entre seita e cristianismo. Em suma, o cristianismo é embasado nos ensinamentos de Cristo e na Palavra de Deus respeitando a liberdade de cada fiel. O cristianismo também é amplamente conhecido por ter as portas abertas para qualquer um que queira afiliar-se. A seita visa controlar seus integrantes e bloquear o acesso e integração de ex-participantes. Os ensinamentos de uma seita costumam ser radicais.

Uma das funções primordiais da igreja deve ser acolher todos os tipos de pessoas independentemente de cor, raça, religião, sexo, etc. Sim, a Bíblia tem forte posicionamento em relação aos que já caminharam na fé e deliberadamente decidem desligar-se dos caminhos corretos. Jesus foi bem claro.

Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano. – Mateus 18:15-17

Aqui vemos Jesus nos exortando a ser firmes e ao mesmo tempo pacientes com os que abandonam a fé e pecam contra a igreja. Firmes porque o resultado final é este: tratar o desviado da fé como um gentio e publicano. Pacientes porque são dadas 3 chances antes que este “desligamento” aconteça.

Mas, relembrando o que escrevi em outras páginas, as Sagradas Escrituras nunca devem ser interpretadas de forma fragmentada, e sim como um todo. Este mesmo Jesus que assim nos instruiu, também citou a obrigatoriedade de amarmos o próximo como a nós mesmos. E quem é o próximo? Qualquer um.

Quando observamos a Cristo percebemos facilmente o seu amor pelas pessoas. A sua atenção era ainda mais exclusiva quando direcionada aos gentios. Lembra-se da passagem em que Jesus diz que veio pelos doentes e não pelos sadios?

E Jesus, tendo ouvido isto, disse-lhes: Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento. – Marcos 2:17

Através do versículo acima desmontamos qualquer ideia de uma “elite espiritual”. Estamos todos no mesmo barco. Somos todos pecadores e precisamos nos arrepender. A diferença que enxergo entre um desviado e um firme na fé é a posição em relação à igreja (unido ou desunido) e o reconhecimento da necessidade de arrependimento. Aquelas pessoas perfeitas, super santas, acima da média… Jesus não veio morrer por elas. E se elas se acham perfeitas o bastante para desmerecer o sacrifício de Cristo, então qual advogado as defenderá no tribunal espiritual?

Você, meu irmão ou minha irmã que desviou-se, esta é a sua esperança! Jesus não te recusa. Você é imperfeito(a)? Está emocional e espiritualmente doente? Sente-se fraco(a)? Jesus morreu por você! Ele te aguarda de braços abertos! A culpa e a vergonha não podem resistir diante do amor e da graça de Cristo.

Você tem todo o direito de unir-se novamente à igreja. Não é preciso ser perfeito para retornar, até porque expliquei há pouco o fato de que somos todos necessitados da purificação constante do sangue de Jesus. Basta querer. A igreja ainda é o seu lugar de direito. Jesus pagou o seu preço e te deu acesso vitalício para adentrar a família na fé.

Podemos nos espelhar na Parábola do Filho Pródigo. Veremos que esta história tem muito mais a ver com a realidade do que pensamos. Jesus foi esplêndido em suas parábolas, pois cada detalhe presente nelas nos ensina algo.

Jesus continuou: “Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao seu pai: ‘Pai, quero a minha parte da herança’. Assim, ele repartiu sua propriedade entre eles. “Não muito tempo depois, o filho mais novo reuniu tudo o que tinha, e foi para uma região distante; e lá desperdiçou os seus bens vivendo irresponsavelmente. Depois de ter gasto tudo, houve uma grande fome em toda aquela região, e ele começou a passar necessidade. Por isso foi empregar-se com um dos cidadãos daquela região, que o mandou para o seu campo a fim de cuidar de porcos. Ele desejava encher o estômago com as vagens de alfarrobeira que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada. “Caindo em si, ele disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm comida de sobra, e eu aqui, morrendo de fome! Eu me porei a caminho e voltarei para meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados’. A seguir, levantou-se e foi para seu pai. “Estando ainda longe, seu pai o viu e, cheio de compaixão, correu para seu filho, e o abraçou e beijou. “O filho lhe disse: ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho’. “Mas o pai disse aos seus servos: ‘Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés. Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e comemorar. Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado’. E começaram a festejar. “Enquanto isso, o filho mais velho estava no campo. Quando se aproximou da casa, ouviu a música e a dança. Então chamou um dos servos e perguntou-lhe o que estava acontecendo. Este lhe respondeu: ‘Seu irmão voltou, e seu pai matou o novilho gordo, porque o recebeu de volta são e salvo’. “O filho mais velho encheu-se de ira, e não quis entrar. Então seu pai saiu e insistiu com ele. – Lucas 15:11-28 (ênfase acrescentada)

Vamos esmiuçar esta maravilhosa parábola. Analisemos cada trecho destacado.

Um homem tinha dois filhos”: sabemos que enquanto umas pessoas desviam-se, outras permanecem na fé. O tempo passa e pode ser que o quadro se inverta, mas a realidade é que sempre haverá estes dois tipos de pessoa. No entanto, estes sujeitos continuam sendo filhos de Deus. A paternidade do Pai não é anulada com base no desânimo de alguém.

desperdiçou os seus bens vivendo irresponsavelmente”: esta é a realidade de quem se afasta do caminho correto para experimentar os pratos frios do mundo. O indivíduo que escolhe este caminho não percebe o tamanho do erro que está cometendo. As consequências deste desvio podem durar a vida inteira. Em outras palavras, posso afirmar que o tempo em que vivemos longes de Cristo é um tempo jogado no lixo.

ele começou a passar necessidade”: há um ponto na vida do desviado em que as coisas começam a complicar-se e surge novamente o desejo de correr para os braços do Salvador. Uma fome insaciável começa a criar forma na alma humana, todavia faltam as forças para retornar ao Pai. O mais fascinante em tudo isso é que nada pode saciar esta fome, a não ser Cristo.

mas ninguém lhe dava nada”: nestes momentos de angustia e reflexão existencial, notamos claramente como o mundo pode ser frio com os seres humanos. Enquanto estamos bem, há amizades dispostas por toda parte. Porém, quando estamos mal, todos viram as costas. Mendigamos um pouco de atenção, mas ninguém pode suprir esta fome de amor que somente Deus pode saciar. Posso lhe mostrar um versículo que retrata bem esta capacidade exclusiva de Jesus.

Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo. – João 14:27

seu pai o viu e, cheio de compaixão, correu para seu filho”: quem disse que Deus odeia os desviados? O Pai não nutre nenhum sentimento de ódio por qualquer um de seus filhos. No Velho Testamento encontramos Deus irando-se, no entanto hoje, ao olhar para seus filhos, o Pai vê criaturas que tiveram o preço do pecado pago pelo seu próprio filho. Deus odeia o pecado, não o pecador. Ele sente compaixão de você e te aguarda pacientemente.

Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele”: quando retornamos ao Pai, estamos imundos, fétidos, totalmente desprezíveis. A carga do pecado e seus vícios pesam em nossas costas. Então Jesus, com sua infinita graça e misericórdia, nos limpa, reveste e liberta deste lamaçal em que o pecado nos afunda.

Vamos fazer uma festa e comemorar”: o retorno de um filho perdido é motivo de comemoração! Se hoje você ainda está desviado(a), saiba que seu retorno será um imenso motivo de alegria nos céus. Não imagine Deus com os braços cruzados aguardando você implorar pelo Seu amor novamente. Obviamente não excluo a necessidade do arrependimento, pois este ato evidencia a vontade verdadeira de retornar aos caminhos da fé.

O que acham vocês? Se alguém possui cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixará as noventa e nove nos montes, indo procurar a que se perdeu? E se conseguir encontrá-la, garanto-lhes que ele ficará mais contente com aquela ovelha do que com as noventa e nove que não se perderam. – Mateus 18:12,13

O filho mais velho encheu-se de ira”: aqui percebemos uma realidade curiosa no meio do cristão. Quando um filho perdido retorna para os braços de Deus, há casos em que irmãos (geralmente mais velhos na jornada da fé) julgam o seu retorno. Com um mero olhar humano decidem se o irmão ex-desviado realmente mudou ou está fingindo. Alguns chegam a recusar o ombro amigo. Outros imperceptivelmente se intitulam “santos demais” para criar laços com o filho pródigo. Este não é o comportamento de um irmão… muito menos de um cristão. Entretanto, podemos ficar tranquilos, pois sabemos que Deus transforma a visão de mundo de seus filhos. É só questão de tempo.

Trechos do Livro: Me Desviei… e Agora?

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