A busca incessante pela felicidade é, talvez, o empreendimento mais antigo e universal da humanidade. Desde a Antiguidade até os dias atuais, gastamos nossa energia tentando decifrar onde se esconde esse tesouro tão cobiçado. A maioria de nós cresceu acreditando na promessa de que a felicidade está no baú de ouro escondido no fim do arco-íris. Criamos narrativas mentais complexas, traçamos metas profissionais rigorosas e percorremos caminhos exaustivos para alcançar o ponto-alvo dos nossos sonhos, imaginando que, ao cruzar essa linha de chegada, todos os nossos dilemas existenciais se dissolverão magicamente.
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No entanto, a realidade costuma cobrar um preço alto por essa ilusão. Quando finalmente chegamos ao topo, muitas vezes percebemos que o famigerado baú do final do arco-íris não possui tanto ouro quanto imaginávamos — ou, pior, que o ouro ali guardado perdeu o brilho antes mesmo de ser tocado. É por isso que compreender a verdadeira psicologia da felicidade é fundamental para evitar frustrações profundas ao longo da jornada.
Reflita sobre uma realidade inquietante: com frequência, ouvimos notícias sobre pessoas famosas, riquíssimas, detentoras de beleza estonteante e carreiras internacionalmente bem-sucedidas que decidem tirar a própria vida de forma inesperada. Por que tantas pessoas, após chegarem ao auge absoluto de seus sonhos materiais e sociais, demonstram apenas uma alegria efêmera e passageira, logo substituída por uma angústia avassaladora? A resposta reside no fato de que os bens externos são incapazes de preencher a geografia da alma.
Aqueles que lutam arduamente para alcançar o que para muitos é inalcançável acabam descobrindo, com amargura, que o sucesso exterior não supre o vazio imenso que cada ser humano carrega dentro de si. A verdade profunda que muitas vezes negligenciamos é que ser feliz está relacionado ao ser, e não ao acúmulo de posses.
Para entender essa dinâmica, precisamos analisar a dicotomia entre o “TER” e o “SER”. Para TER, somos compelidos a travar batalhas diárias implacáveis. Precisamos investir capital emocional, vender horas e horas preciosas de nossos dias em troca de notas de papel e, não raramente, abrir mão de momentos inegociáveis e valiosos com a família e com quem amamos. O custo do ter é alto, estressante e consome a nossa vitalidade.
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Em contrapartida, para SER, o preço é incomparavelmente menor. Na verdade, basta querer ser. É necessário enxergar a beleza naquilo que não tem preço — naquilo que, ironicamente, costuma passar despercebido pela multidão apressada. É genuinamente feliz quem desenvolve a arte de contemplar o belo nas pequenas coisas, no silêncio de uma manhã, na simplicidade de uma conversa ou na paz de uma consciência tranquila.

A nossa sociedade hipercapitalista nos convenceu de que é possível TER a felicidade, como se ela fosse um produto de prateleira que pode ser adquirido com o cartão de crédito. Contudo, TER a felicidade é uma impossibilidade lógica, pois ela não pode ser nem ao menos apalpada. Por outro lado, SER feliz é inteiramente possível, mas trata-se de uma escolha consciente e diária que devemos fazer voluntariamente — de preferência logo ao acordar, antes que as demandas do mundo sequestrem a nossa atenção.
É fascinante observar o comportamento humano: as pessoas sentem-se mais vivas e felizes quando estão lutando por algo, pois é exatamente nesse processo que enxergam sentido na própria existência. A adrenalina da conquista nos move. Porém, tão logo ganham a recompensa pela luta, a sensação de euforia evapora em pouquíssimo tempo. Por que isso acontece? A resposta é simples e nos confronta diretamente: costumamos depositar toda a nossa esperança na frase condicional “quando eu tiver…”, em vez de ancorar nossa paz na afirmação presente “eu já tenho!”.
Existe um abismo de diferença emocional e espiritual entre projetar a alegria para o futuro e celebrá-la no agora. Ser feliz por já ter um emprego, por já ter uma família, por já ter um lar, por já ter boa saúde, por já ter inteligência e amigos leais é infinitamente superior a condicionar a alegria ao dia em que teremos aquele cargo específico, aquela mansão, aquela saúde perfeita ou aquele círculo social ideal.
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Afinal, se continuarmos a adiar a nossa alegria, correremos o risco de, quando aqueles alvos futuros finalmente chegarem (caso cheguem), continuarmos repetindo o vício mental do “quando eu tiver…”. Precisamos quebrar esse ciclo de insatisfação crônica.
Portanto, escolha ser feliz com aquilo que você já é hoje, e não com aquilo que você hipoteticamente poderá ter amanhã. Afinal, e se este dia tão esperado e planejado nunca chegar? O que restará? Será que você poderá olhar para trás e pensar genuinamente “eu fui” em seus últimos segundos de vida, ou passará a eternidade lamentando o que deixou de viver por estar sempre focado no ter?
A sabedoria ancestral, através do cristianismo e dos textos sagrados, já nos advertia sobre a futilidade da ansiedade excessiva quanto ao amanhã e a importância de valorizarmos o presente que nos foi dado. Como bem sintetiza a reflexão bíblica:
“Por isso concluí que não há nada melhor para o homem do que desfrutar do seu trabalho, porque esta é a sua recompensa. Pois, quem poderá fazê-lo ver o que acontecerá depois de morto?” – Eclesiastes 3:22
Aproveite o seu caminho, desfrute do seu presente, abrace a sua essência e decida, agora mesmo, ser quem você foi criado para ser.
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Sobre Danilo H. Gomes
Com mais de 1 milhão de e-books baixados no Brasil e no mundo, Danilo H. Gomes, autor best-seller conhecido por sua forma de escrever simples, profunda e cativante, vem rompendo barreiras no mundo literário, alcançando desde os leigos até os especialistas. Seu amor pelo desenvolvimento humano, em conjunto com seu conhecimento filosófico reflexivo e sua paixão pela psicologia, geraram mais de 70 publicações relacionadas aos mais variados temas. Danilo H. Gomes é marido de Débora e pai de Sarah.







