Já parou para pensar em como enxergamos o mundo ao nosso redor? Repare na imagem abaixo. O que você vê? Uma cadeira, correto? Isto é óbvio. Mas quando você olha esta cadeira você não vê apenas uma cadeira, você está vendo uma série de cores e traços. O que faz com que seu cérebro automaticamente envie a mensagem ao seu córtex frontal de que este objeto na figura é uma cadeira? Afinal de contas… o que é uma cadeira na filosofia e fenomenologia?
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Na verdade, os processos mentais ao ver uma simples cadeira são muito mais complexos do que você imagina. Junto com a informação de que o conjunto de traços e cores na figura representa uma cadeira, seu cérebro também atribui vários adjetivos ao objeto, mesmo que você não tenha plena consciência disso. No nosso dia a dia, seja no trabalho ou em casa, costumamos achar que a nossa perspectiva sobre as coisas e sobre as pessoas é a única verdade absoluta.
Por exemplo, vamos fingir que eu te pergunte se aquela cadeira é bonita ou não. Pode ser que você me responda que sim, mas também pode ser que outra pessoa qualquer diga que não. Isso ocorre porque você não tem o poder de escolher o que acha belo ou não. Portanto, um simples amontoado de traços e cores não é apenas uma cadeira, mas sim uma cadeira bonita para o Carlos, uma cadeira feia para Fernando, uma cadeira aparentemente confortável para João, uma cadeira aparentemente desconfortável para Vânia, uma cadeira muito alta para Débora e uma cadeira muito baixa para Igor.
Um pouco confuso, não? Isso acaba até dificultando a questão “o que é uma cadeira na filosofia?“. Confuso mesmo é saber que essa regra de diferenças de um mesmo objeto se aplica a tudo no mundo. Você, leitor, não é tão único quanto você pensa que é. Não quero, de forma alguma, diminuir sua autoestima, mas a verdade é que você nunca foi único e nunca será.
Calma, não pare de ler se você se sentiu ofendido. O que tenho para lhe informar é uma boa notícia. Vamos analisar com calma e atenção. Aquela simples cadeira usada como exemplo não é a mesma cadeira registrada na minha mente e não é a mesma cadeira registrada na sua, sendo assim, temos até aqui duas cadeiras. Se para você aquela cadeira está registrada de uma forma, para mim de outra forma e de outra forma para o Carlos, Fernando, João, Vânia, Débora e Igor, então já temos oito cadeiras.
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Vamos aplicar esta verdade em você agora, meu caro leitor. Não sei seu nome, então vou chamá-lo de Danilo. Você tem suas opiniões sobre você mesmo. Conhece suas qualidades e seus defeitos. Vê em si mesmo alguém dedicado e cheio de sonhos. Este então é você. Adriana é sua amiga. Ela te vê todos os dias, mas não vê em você o mesmo que você enxerga em si próprio. Adriana percebe em você qualidades e defeitos diferentes das que você mesmo percebe.
Veja só que interessante! Agora começamos a entender melhor a resposta da questão “o que é uma cadeira na filosofia?“. Comecei citando apenas um Danilo, agora temos dois “Danilos”, um pouco diferentes um do outro. E só para reforçar o exemplo vamos inserir mais um ponto de vista. Vitor é seu melhor amigo. Conhece todos os seus defeitos, mas te admira muito e vê em você mais qualidades do que defeitos. Agora temos três “Danilos”. Se eu continuasse dando exemplos, chegaríamos a centenas e centenas de “Danilos” que nascem de um só. A pergunta que não quer calar é: existe então um Danilo verdadeiro, “oficial”? Você provavelmente responderia que o Danilo verdadeiro é o que você acha de si mesmo, mas a resposta é não.
Se cada pessoa no mundo verá Danilo de uma forma única, então não existe uma figura original. O mesmo pode ser aplicado àquela cadeira. Eu a vi de uma forma, você a viu de outra e ela obviamente não tem uma opinião sobre si. Então aquela cadeira originalmente não existe. O que existe é um objeto que fornece informações para vários cérebros por aí. Como cristãos, muitas vezes sofremos por tentar controlar a opinião dos outros sobre quem somos, esquecendo que a nossa verdadeira identidade está firmada no Criador, e não na percepção fragmentada do mundo.
O Que é Uma Cadeira na Filosofia e Fenomenologia?
Talvez você tenha achado esta forma de ver o mundo uma tremenda maluquice, mas estes argumentos pertencem a uma linha de pensamento filosófica chamada fenomenologia (por Edmund Husserl). A mesma dá a tudo presente em nossa dimensão o nome de fenômeno. Aquela cadeira é um fenômeno. Você é um fenômeno.
É com base nesta escola filosófica, unida aos princípios do autoconhecimento e da nossa caminhada na fé, que este artigo foi escrito para lhe auxiliar a enxergar o mundo e seus problemas como eles realmente devem ser vistos. Se você conseguir mudar sua forma de ver as coisas externas a você, então, acredite, toda sua vida vai mudar automaticamente. É mudando o que há internamente, renovando a nossa mente pela graça de Deus, que conseguiremos transformar o que há externamente.
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Portanto, quando olharmos para as dificuldades da vida, para os julgamentos alheios ou para os nossos próprios dilemas, lembremo-nos de que a percepção é moldada por lentes humanas limitadas. Acolha a si mesmo com paciência, confie no processo de renovação que a fé nos proporciona e continue caminhando com coragem. Afinal, compreender como a nossa mente opera é o primeiro passo para vivermos de forma mais leve, consciente e alinhada com o propósito divino.
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Sobre Danilo H. Gomes
Com mais de 1 milhão de e-books baixados no Brasil e no mundo, Danilo H. Gomes, autor best-seller conhecido por sua forma de escrever simples, profunda e cativante, vem rompendo barreiras no mundo literário, alcançando desde os leigos até os especialistas. Seu amor pelo desenvolvimento humano, em conjunto com seu conhecimento filosófico reflexivo e sua paixão pela psicologia, geraram mais de 70 publicações relacionadas aos mais variados temas. Danilo H. Gomes é marido de Débora e pai de Sarah.







