Você já parou para pensar em quanta energia gasta diariamente correndo atrás de novidades? Nos preocupamos demasiadamente com o amanhã. O grande combustível da ansiedade é justamente essa escuridão do futuro. Sabe de uma coisa interessante? Ninguém fica ansioso pelo tempo presente; no agora, o que costuma nos visitar é o medo, e não a incerteza do que ainda não aconteceu. Quando ponderamos a respeito desta diferença, percebemos a quantidade de energia que desperdiçamos por nada.
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Com o passar do tempo, o ser humano que antes descansava diante da capacidade criativa de Deus passou a se esforçar absurdamente para criar com os próprios braços. Inesperadamente, em diversas ocasiões da vida, damos por nos pegar nessa luta exaustiva pelo novo. Uma luta completamente inútil.
Vejamos novamente a narrativa do Jardim do Éden. Em nenhum momento Deus ordenou a Adão que criasse novos elementos do zero. A função primordial dele era simples e clara: cuidar. Sua obrigação era obedecer, e seu maior prazer consistia em desfrutar de comunhão íntima com o Criador. Imagine se Adão passasse horas e horas tentando inventar novas coisas enquanto o jardim ao seu redor se deteriorava por falta de atenção? Infelizmente, vemos essa mesma analogia tornar-se real no nosso cotidiano.
O cristão de hoje muitas vezes se deixa levar por esse medo inútil. Refiro-me àquele temor constante de não conseguir o novo. Gastamos tempo e saúde de maneira exagerada para conquistar aquela bolsa na faculdade, aquela promoção cobiçada no emprego ou aquela aprovação amorosa, enquanto ao mesmo tempo dobramos os joelhos pedindo que Deus provenha essas mesmas necessidades. Ora, como você pede algo a alguém sendo que você mesmo decide fazer tudo com as próprias forças?
É exatamente essa complexidade que desejo trazer ao seu coração hoje. Pedimos tanto para que Deus abra novos caminhos em nossa jornada, mas nos desesperamos porque não conseguimos abrir essas trilhas sozinhos em meio ao caos. Enquanto isso, o nosso jardim interior jaz abandonado, seco e sem frutos.
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Não anulo de maneira nenhuma a lei do plantio e da colheita. Essa lei é bíblica, soberana e atemporal. Como lemos em Gálatas 6:7: “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá”. Plantio e colheita. Não seriam exatamente estas algumas das funções originais de Adão no Jardim? Duas palavras ecoam nas Escrituras: cuidar e cultivar. O texto de Gênesis 2:15 diz claramente que o Senhor colocou o homem no jardim para cuidar dele e cultivá-lo.
Um dos significados mais belos da palavra cultivar é “tratar a terra, lavrar”. Não sei ao certo se Adão precisava plantar e depois colher da forma como fazemos hoje, mas de alguma forma ele zelava pelas terras onde pisava. Como consequência direta de seu trabalho dedicado, o Jardim se mantinha belo, fértil e agradável. Por que, então, nos afastamos tanto desse sentido original da criação?
Existe uma diferença gritante entre criar e cultivar neste contexto. Plantamos de acordo com as sementes que já temos — aquelas que, na hora perfeita, o Pai generosamente nos dá. Os frutos produzidos por essas árvores também nos fornecerão novas sementes para o amanhã. No entanto, muitas vezes não ficamos satisfeitos em usar aquilo que o Senhor já nos supriu. Deixamo-nos seduzir pela ilusão de que precisamos de mais. De algo totalmente novo. Uma novidade mirabolante que finalmente nos permitiria conhecer a verdadeira felicidade.
Tomo como exemplo prático a rotina de um executivo que almeja ardentemente uma promoção no emprego. Ele deseja isso com todas as forças do seu ser. Como consequência dessa obsessão, viu-se preso atrás das grades invisíveis da ansiedade. “E se eu não conseguir? Conto tanto com este aumento salarial!” é o pensamento que o consome diariamente.
Essa ansiedade crônica o distrai constantemente e desperta um estresse avassalador. Ele já pediu a promoção em oração, mas, no fundo, não crê que Deus o abençoará se ele mesmo não perder gotas de sangue e noites de sono pelo objetivo. Então, qual seria a função de Deus nisso tudo se o executivo faz o impossível pelo seu próprio sonho?
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Enquanto isso, o casamento já não vai bem. Os filhos insistem por atenção, crescendo distantes da figura paterna. A única missão que sobrou é ganhar mais dinheiro. Esse homem quer novidade de vida, mas esquece o seu jardim interior. Onde estão os cuidados? Por que ele não cumpre a mesma ordem que Adão recebeu no princípio?
Talvez essa seja a sua própria realidade neste exato momento. Talvez você esteja exausto por lutar incansavelmente por um lugar ao sol neste sistema frenético. O seu tempo tornou-se escravo dessa possível novidade. O lazer virou uma palavra distante, e o seu jardim… bem, como ele vai?
Se você se identifica com isso, eu tenho uma boa notícia: você não foi criado para escrever coisas novas na sua história por força própria. O Pai não te deu essa missão sobrecarregada. Mesmo que você deseje muito, não poderá acrescentar sequer uma hora de vida à sua existência, como bem nos lembra o Mestre em Lucas 12:25-26. A palavra final e definitiva sempre vem do Senhor.
Queremos tanto as novidades passageiras que o mundo oferece, mas o coração humano é enganoso e toda essa luta egoísta resulta apenas em mais caos. Como diz Jeremias 17:9, enganoso é o coração, mais do que todas as coisas. Em vez de nos conformarmos com esse ritmo do mundo, precisamos ser transformados pela renovação da nossa mente, experimentando a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
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Como aquele executivo deveria agir diante de tanto estresse? Simples. Ele deveria continuar fazendo o seu melhor, cuidando de seu jardim e cultivando-o com paciência. O seu pedido a Deus referente à carreira seria mais do que suficiente. Afinal, a Palavra nos garante em Mateus 21:22 que tudo o que pedirmos em oração, crendo, o receberemos. É maravilhoso ter um Pai que chama a responsabilidade para si quando o assunto é o impossível.
Portanto, observe a sua vida hoje. Para onde você está correndo? Tem trabalhado para manter belas as flores do seu jardim ou tem caçado furiosamente novas espécies apenas para satisfazer caprichos do ego? Essa é a diferença fundamental entre o plantio e a busca desenfreada pelo novo. Quer novas flores? Peça ao Pai com um coração manso.
Deus me revelou essas verdades profundas em um momento em que eu mesmo pensava em formas de aumentar a minha renda, achando que tudo dependia exclusivamente de mim. Esse ativismo me consumia por dentro. Foi quando o Senhor me lembrou que eu não precisava me desesperar. Eu só precisava ocupar-me em cuidar daquilo que Ele já havia plantado, sem jamais duvidar da colheita.
O amanhã pertence ao Pai; o hoje é o nosso espaço de cuidado. Descanse, cuide do seu jardim e confie na graça dEle.
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Sobre Danilo H. Gomes
Com mais de 1 milhão de e-books baixados no Brasil e no mundo, Danilo H. Gomes, autor best-seller conhecido por sua forma de escrever simples, profunda e cativante, vem rompendo barreiras no mundo literário, alcançando desde os leigos até os especialistas. Seu amor pelo desenvolvimento humano, em conjunto com seu conhecimento filosófico reflexivo e sua paixão pela psicologia, geraram mais de 70 publicações relacionadas aos mais variados temas. Danilo H. Gomes é marido de Débora e pai de Sarah.







